segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Nem imaginas o prazer que me dá...



Já a algum tempo que me era dificil definir prazer... Segundo o dicionário da lingua portuguesa prazer é " uma sensação de bem-estar". Contudo o que é este bem estar, tendo em conta que a sociedade esta cada vez mais materialista e egocêntrica.


Alberto Campus uma vez disse que " É o prazer de viver que dispersa, suprime a concentração, paralisia todo o impulso para a grandeza... " Se quisesse ser culto, faria desta frase a base de uma reflexão, descrevendo o prazer como um conjunto de sentimentos inantigiveis. Contudo, esta frase não passa de uma desordem de palavras numa sociedade turva...


Carissimos, o tempo passa a correr,os momentos sucedem-se uns atrás dos outros, viaja-se entre o aeroporto da melancolia e a gare do sucesso. Porém, quando menos se espera apercebemo-nos de que as palavras escritas sem sentido no passado, são os verbos do presente e os adjectivos do futuro.


Hoje contive-me na realidade e no final do dia fecho os olhos e sigo numa viagem mental do meu dia e num eclipse de efervescencia de desordem procuro o equilibro numa época de instabilidade e incerteza, como se salta-se num trapézio de ideias, sentimentos e pensamentos diversos e concluo que as minhas quiméras do dia a dia não são mais do que os artefactos de uma boémia inerente ao tempo na qual a sociedade tenta iludir a presunção, num tempo que não parou e fez tudo para tornar uma sociedade cada vez mais superficial.


Contudo, nem imaginas o prazer que me deu hoje ouvir o meu despertador e ter a capacidade de sozinho erguer-me para mais um dia de trabalho, nem imaginas o prazer que me deu sair de casa e sentir o cheiro a terra molhada da chuva, nem imaginas o prazer que me deu poder assistir um utente com uma efermidade, nem imaginas o prazer que me deu sorrir para as pessoas, nem imaginas o prazer que me deu correr corredor fora em torno de uma vida, nem imaginas o prazer que me deu regressar a casa com a sensação de dever cumprido, nem imaginas o prazer que me deu passear de bicicleta junto ao mar e ver as ondas dor mar a rebentar na costa e sentir a brisa do mar no meu rosto, nem imaginas o prazer que me deu encontrar uma senhora conhecida e esta abrir o seu casaquinho de lâ e oferecer-me um fruto acapadinho de apanhar, nem imaginas o prazer que me deu dizer-lhe obrigado, nem imaginas o prazer que me deu comprar pão e receber um sorriso da funcionária, nem imaginas o prazer que me deu ter prazer...


Desliga-se o pensamento e termina este jogo confuso e complexo da poésia...onde predomina a

essência sobre a existência.

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